António Zambujo

08 de Junho, Sábado
19h00
Cidade das Artes, Rio de Janeiro

www.cidadedasartes.org

Informação artística

De Casablanca a Sevilha, passando por Santiago do Chile, Buenos Aires, Rio de Janeiro, São Paulo, Bogotá, Madrid e Barcelona, em 2019 a música de António Zambujo viaja além fronteiras, no âmbito do Festival do Fado. Acompanhado por Bernardo Couto na guitarra portuguesa, Ricardo Cruz no contrabaixo e Filipe Melo ao piano, António Zambujo revisita fados tradicionais e outros temas do seu repertório, convidando o público a celebrar os novos arranjos propositadamente pensados para estas nove cidades.

 

O resto é aquilo que já sabemos e que esta caminhada singular nos vem permitindo fixar: que António Zambujo nasceu em Beja, Alentejo, a 19 de Setembro de 1975. Que atravessou uma auspiciosa e sólida infância musical – começou a estudar clarinete com apenas oito anos – e uma adolescência muito activa nesta actividade que se tornaria o seu ofício, que acabou por fixar-se em Lisboa, onde dividiu o tempo pela experiência diária do fado e pela investida em musicais, garantindo de imediato os primeiros dados que haveriam de o fazer chegar ao lugar, tão difícil como desinteressante de “localizar” onde hoje se encontra.

 

Estreou-se nos discos em 2002 e começou uma impressionante série de prémios e outras distinções, com natural destaque para a comenda da Ordem do Infante D. Henrique, que lhe é entregue pelo Presidente da República (em 2015). Vai-se evidenciando a sua tendência, natural e não estratégica, para não escolher uma “via única” (nem rápida) nas suas abordagens musicais: se regista em disco o convite a um grupo (Angelite) de Vozes Búlgaras, nunca disfarça uma pulsão pela música do Brasil. A sua voz leva mesmo a uma declaração enlevada de Caetano Veloso: “Quero ouvir mais, mais vezes, mais fundo (…) É de arrepiar e fazer chorar”.

 

Com as edições internacionais dos seus álbuns, vai marcando pontos no riquíssimo e infinito universo da world music, um cadinho em que se privilegia o direito à diferença, mas nunca se afasta verdadeiramente do planeta Portugal, em que – como vimos – não estabelece nem pratica distinções académicas de género. O carinho do público e o reconhecimento da crítica vão crescendo, sem pressas mas com a cadência desejada pelo próprio cantor, que se desdobra em concertos e festivais, em Portugal e um pouco por toda a parte. Esta internacionalização justifica outros sabores para a rica “ementa” de António Zambujo – e aí fica, como paradigma, a nomeação do disco “Até Pensei Que Fosse Minha” para o Grammy Latino, em 2017, na categoria de Melhor Disco… de MPB.

 

Em Novembro de 2018, o cancioneiro multifacetado, estimulante, tão tranquilo na forma como inquieto no conteúdo, de António Zambujo ganha um novo capítulo. “Do Avesso” é o oitavo disco de estúdio que o artista publica e, sabendo que o oito é o número da sorte para os chineses, fica claro que, neste particular, a “sorte grande” ganha contornos muito mais globais, porque nos toca a todos. Mais: numa época em que aprendemos a estimar e defender os nossos direitos, ganhamos outro objectivo – fazer finca-pé pelo nosso direito ao (Do)Avesso.